Solanáceas

no Brasil

SEMENTE


Pesquisas desenvolvidas com espécies de solanáceas de importância econômica para os EUA (Gunn, 1974) abordando as características morfológicas das sementes demonstraram a existência de apenas estudos superficiais e que geralmente essas estruturas são omitidas das chaves elaboradas para a identificação.

Apesar de as variações observadas nas características relativas ao numero, tamanho, forma e superfície da testa, existe para os gêneros ou dentro de um mesmo gênero diferenças significativas de valor diagnóstico. 

 Gunn (1972, 1974) demonstra que há possibilidade para o reconhecimento de espécies Solanáceas, associando uma metodologia eficaz com descrições detalhadas e ilustrações, entre elas cita as de Atropa, Browallia, Capsicum, Cestrum, Chamaesaracha, Datura, Hyosciamus, Lycium, Lycopesicon, Margarathus, Nicandra, Nicotiana, Nierembergia, Petunia, Physalis, Salpichroa, Salpiglossis, Saracha, Schisanthus e Solanum..

Hunziker (2001) descreve, através da microscopia ótica  as sementes dos gêneros de Solanáceas em detalhe, acompanhadas de valiosa referencia bibliográfica.  

Há muitas variações no aspecto uniforme das sementes, entretanto algumas destas variações são de importância taxonômica, em especial a forma e a superfície (Whalen, 1984 e Knapp, 2000).

Assim como as variações na forma das sementes surgidas das combinações entre elementos, por exemplo, a forma  aplanado-reniforme e ovóide-reniforme  são aspectos usados para separar grupo de espécies do gênero Solanum pertencentes à seção Geminata (Knapp(2002 ). 

O tamanho, considerando-se os níveis de desenvolvimento das alas que circundam as sementes de algumas espécies de Solanum, ainda pouco exploradas (Anderson, 1979), parece ser de uso taxonômico. 

Os estudos anatômicos das sementes (Corner,1976, Beltrati  e Paoli,1999, Boesewinkel e Bouman, 1984) auxiliam na interpretação da forma e ornamentação da superfície da testa, e reforçam a importância dos estudos pioneiros de Netolitzk (1926) e seu pensamento de que a estrutura das sementes poderia ser a base para classificação natural das plantas com flores.     

Corner (1976) estudou os gêneros Browallia, Cestrum, Lycium, Nicandra, Nicotiana Petunia e Solanum.  

Carvalho (1978), Edmonds (1983) Carvalho, Machado e Bovini (1999), Kissmann e Groth (2000), através da microscopia ótica e eletrônica de varredura ( MEV), descrevem a diversidade existente na forma e ornamentação da testa das sementes de espécies nativas e subespontâneas, observadas nos gêneros Brugmansia, Cestrum, Datura, Nicandra, Nierembergia, Physalis, Schwenckia, Sessea e Solanum.

Lester ( 1991) demonstrou que através da microscopia eletrônica de varredura o estudo da superfície da semente pode elucidar relações evolutivas, como em três espécies pertencentes a seções distintas do gênero Solanum e auxiliar na descrição e interpretação das estruturas de ornamentação como as “fribils”, projeções filamentosas a semelhança de tricomas, também observadas por Edmonds (1983), Bohs (1994) e Knapp ( 2000).

É com base nessas abordagens que se pretende divulgar as pesquisas científicas recentes, de autores que cuidadosamente descrevem a forma e a superfície das sementes de vários gêneros, embora com poucas espécies representadas no Brasil. 

Morfologia da Semente 

A semente é única em Melananthus, e em diversos gêneros varia até vinte por fruto (Aureliana, Browallia, Brunfelsia, Cestrum, Metternichia, Physalis, Sessea e Solanum *), e podem ser numerosas, entre 30 – 100 , (Acnistus, Athaenea, Aureliana, Bouchetia, Brugmansia, Datura, Melananthus, Nicotiana. Nierembergia, Petunia, Protoschwenckia, Physalis*, Schwenckia, Solanum* e Vassobia) e até mesmo ultrapassar a 100 em Dyssochroma, Hyoscyamus, Nicotiana *, Petunia, Physalis* e Solanum*.

A forma varia de linear, aplanada (Metternichia e Sessea), discóide, Bahadurglobosa, oblonga, elipsóide, reniforme até poliédrica.  Sementes aladas com projeções lineares distais ou circulares foram observadas em Sessea e em espécies de Solanum* respectivamente.

A testa da semente é lisa ou levemente estriada (Melananthus e Metternichia) ou ornamentada em todos os outros gêneros, variando de reticulada,foveolada, estriada,rugosa,tuberculada a levemente pontuada! e ainda combinações entre estes aspectos.

O tamanho varia pouco, de o,5mm (Bouchetia, Protoschwenckia) a 5-10 mm nos demais gêneros, com um pouco mais de 15 mm em Brugmansia, Cestrum* e Dyssochroma.

Quanto à coloração, sempre em tons claros de amarelo, vermelho, acastanhado, marrom ou nigrescente.

Ilustração: desenhos, microscopia óptica e eletrônica .

Referência bibliográfica: BANCO DE DADOS

Glossário: M.R.Murley (1951).Types of surfaces of seeds in W.T.Stearn (1980) Dictionary Botanical Latin.